janeiro 31, 2009

Hoje comprei fado... Tive saudades...

Já ninguém sente saudades como nos tempos da Severa. Nem se ama da mesma forma. O século passado foi há 10 anos e do outro já ninguém se lembra. Ninguém chora como a Amália. Ninguém se recorda de recordar as guitarras que houve em tempos na Igreja de Santo Estêvão. Esta já não é a Lisboa que cantava "Olhai senhores, esta Lisboa d'outras eras". O tempo que não volta para trás não é o tempo que não voltava no tempo em que o António Mourão cantava esta canção.
O Bairro Alto é um sítio onde se vão beber uns copos. A graça da Graça está num resquício de tradição, numa Feira da Ladra com nostalgia dos anos 80. A Mouraria, onde dizem que o fado nasceu, transformou-se essencialmente num enorme centro comercial. Dizer-se de Alcântara já não assusta ninguém, provavelmente significa morar num condomínio de luxo. A fama de Alfama é maior do que o proveito. Nos bairros típicos habita uma percentagem mínima da população da cidade. As pessoas transferiram-se para os arredores.
Já não se enviam cartas em papel perfumado, antes e-mails ou SMS. Em vez de tabuinhas, na casa da Mariquinhas haveria estores eléctricos. O Chico do Cachoné é caixa de supermercado. E apareceu uma menina que em vez de tranças pretas, usava um berloque no umbigo. Todas as outras quiseram usar piercings como o dela.
Já no séc XVI, Camões se queixava: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/Muda-se o ser, muda-se a confiança/Todo o mundo é composto de mudança/Tomando sempre novas qualidades". A mudança não mudou. A mudança nem sequer é nova. Mas se tudo conta, como não haveria de mudar o fado? Uma música que não evolui, morre. Torna-se objecto de museu. Mas o fado está vivo, pelo menos para mim! Como tal, vai tomando sempre novas qualidades, numa resposta necessária aos tempos em que vivemos.
Fados tradicionais, a rigor, há só três: o Menor, o Corrido e o Mouraria. Numa casa típica torna-se simples encomendar um destes fados aos guitarristas. Tal não quer dizer que a estes não se juntem outros, que novos fados se criem. É apenas uma questão de saber se o tempo lhes dará esse estatuto.

2 comentários:

Anónimo disse...

És tão linda! :-) Venha mas é uma noite de fados à grande! Acompanhada com um bom vinho tinto e caldo verde... Saudades mil

Anónimo disse...

Atao e qd eu cantava o fado no "Bebe" e João Pedro Pais?ahahahahahahahahahahaha heheheheheheheh
Ta me a dar um ataque de riso heheheheheh

More, já disse uma vez e volte a repetir, escreves divinalmente bem e fazes com que os outros sintam o que escreveste...LY