
Como fã e assídua frequentadora do Pulo do Lobo, resolvi escrever algo sobre o mesmo. Não, não vou falar-vos das iguarias que me fazem deliciar. Desta vez vou falar-vos do real Pulo do Lobo. Porque não só os morfes me fazem feliz.
Saio do Baleizão - essa béla localidade - de máquina em punho e...bora lá...
A gripe apoderou-se de mim mas, entre uma fungadela e uma assoadela, lá me faço à estrada.
Não é a primeira vez que aqui venho. Não será, certamente, a última.
Aqui respira-se liberdade! Preciso de respirar e o caso não está muito facilitado. Nem ò toque de vibrocil isto se processa da melhor maneira...
Vamos lá, então...
O Pulo do Lobo é o mais fantástico acidente geomorfológico do Alentejo. Para o compreendermos temos que recuar até à última glaciação - glaciação de Wurm - que, na sua fase final, ocasionou uma descida do nível das águas do mar.
Nesses tempos longínquos, na foz do rio que hoje chamamos de Guadiana, ter-se-à formado uma queda que, fruto de uma onda de erosão regressiva, foi avançando lentamente para montante, cavando um leito novo no interior do antigo leito do rio.
A partir de um determinado momento o processo parou, fruto de um encontro com uma rocha mais dura - os grauvaques do Pulo do Lobo.
O que nos é dado a observar é, pois, muito mais do que uma passagem vertiginosa do rio entre margens rochosas - subitamente tão estreitas que estariam ao alcance de um "pulo" -, e a sua espectacular precipitação numa queda de quase 14m sobre o sereno Pego dos Sáveis.
O Pulo do Lobo tem acesso sinalizado pela margem esquerda, na Estrada Mértola-Serpa, junto à Povoação de Vale do Poço; e pela margem direita, na Estrada Mértola-Beja, a partir de Corte Gafo.
Para mim, a mais espectacular das vistas é a da margem esquerda. No entanto, é no lado oposto que melhor se pode observar a queda de água.
Local de lendas e estórias de contrabando, o Pulo do Lobo é um dos mais bonitos locais do Vale do Guadiana.

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